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domingo, maio 28, 2006

Ganhar Asas


GANHAR ASAS


Este voar planado, das gaivotas sobre mim?
Deixam meu olhar parado, extasiado,
Num desejo consternado, por ousar voar assim!

Planam levadas plo vento e pela aragem, ao de leve,
E só a dado momento, batem asas, tempo breve…

Que doce e leve voar, neste azul do infinito!
Remiges brancas, negras a par,
Sobre a imensidão do mar…
E na Terra ouço, os seus gritos.

São saudações dessas aves, alegres no seu viver,
Uma, duas três salpicos;
Figuras no infinito…

Ânsia, vontade, meu querer,
De morrer, pra ganhar asas.
Mavilde Lobo Costa
( In Sentimentos)

sexta-feira, maio 26, 2006

Nunca Menospreze uma Lição




NUNCA MENOSPREZE UMA LIÇÃO
Joaquim Saturnino da Silva

Não procure pela dor,
mas se ela chegar trazendo uma imensa bagagem de incertezas, decepções e tantos outros sentimentos desagradáveis, apenas aceite-a.
Aprenda com ela o que ela veio te ensinar.
Nada mais que isso é possível.
As decepções são duais, ou seja, compostas de duas coisas: a dor e a lição.
Se fixarmo-nos na dor, perderemos a lição.
Se nos fixarmos na lição, superamos a decepção.
A dor tempera o espírito, o caráter, como o fogo tempera o aço.
Não há outro jeito.
Desista de enganar-se imaginando que não aconteceu.
Aconteceu, a perda ocorreu e dói.
O sonho acabou e é agora apenas uma agonia.
Muitas vezes - noventa e nove por cento das vezes - a perda é responsabilidade nossa.
Um “jogar fora”, sem perceber que o fazíamos. E o que dói mais é a constatação do erro: o resultado.
Nossa negligência com tudo aquilo que realmente possui valor tem esse alto preço.
Os gritos no escuro, as lágrimas no rosto, aquela imensa “coisa” apertando o peito.
Um punhal invisível ferindo por dentro.
Uma vontade de não estar ali, a suprema vontade de não ser, apagar tudo, de nada adianta. Doerá assim mesmo.
Será dolorido cada segundo de cada minuto, de cada hora, de cada dia, de cada semana... até que a lição seja realmente aprendida.
Então a dor fez seu trabalho.
Só ai ela vai embora.
Mas ela deixa uma quantidade imensa de recados dependurados nas paredes da memória.
Por isso, não procure pela dor.
Mas se ela estiver aí agora, preste atenção ao que ela está tentando te ensinar.
O segredo é simples: já que dói, não há razão para disfarçar nada, assuma a parcela dos próprios enganos e pronto!
Ser hipócrita com os outros é até compreensível.
Mas ser hipócrita consigo mesmo é o supra-sumo da insensatez.
E, afinal, não vai doer mais do que já está doendo. Logo, aprender aí, neste momento é, no mínimo, um ato de inteligência.
Ninguém é herói por este ato de aprendizado.
Isso acontece o tempo todo no mundo.
Cada um é apenas mais um.
Por isso aceite seu desafio, viva sua histórica aventura e cresça, aprenda: nasceste para isso.

Ninguém obtém grandes coisas sem grandes sacrifícios!

quarta-feira, maio 24, 2006

Nunca te Perdi







NUNCA TE PERDI

Nunca fui um herói,
Nunca soube voar, e por trás dos meus olhos uns olhos serenos de mar, que te vêem fundo no mundo e em todo o lugar.
Sou memória de ti, tu és poema e arara.
Eu sou a sombra da fera que espera ou a voz do Guevara.
Sou o silêncio que canto e te espanta e que nunca te agarra.
Deixa a minha mão, guiar o teu caminho, não é a solidão que faz um homem sozinho, é a paz na dor que sei de cor, e o teu sabor no céu que é meu, e onde grito:
Eu nunca te perdi,
e nunca te deixei,
eu nunca te esqueci,
em ti eu repousei,
eu nunca te perdi,
e nunca te deixei,
eu nunca te esqueci,
por ti eu despertei.

Eu nunca te perdi.

Eu já não sou o mesmo, não sou mais o mágico que te encantou, que te levou ao deserto, tão perto daquilo que sou, que te fez forte e rio e mar que agora secou.
Eu já não sou eterno, sou mais uma página do teu caderno rasgada e arrancada à força do vento,
tantas vezes escrita no carinho do tempo, e as noites perdidas que dizias que não, janelas fechadas a esconder a razão...
Deixa o meu olhar ser luz na tua estrada, não é ao acordar que o sonho é madrugada, é a paz na dor que sei de core o teu sabor no céu que é meu e onde grito.
(Pedro Abrunhosa)

segunda-feira, maio 22, 2006

As coisas boas da vida





AS COISAS BOAS DA VIDA
1. Apaixonar-se.
2. Rir tanto até que as faces doam
3. Um chuveiro quente.
4. Um supermercado sem filas.
5. Um olhar especial.
6. Receber correio.
7. Conduzir numa estrada linda.
8. Ouvir a nossa música preferida no rádio.
9. Ficar na cama a ouvir a chuva cair lá fora.
10. Toalhas quentes acabadas de serem brunidas.
11. Encontrar a camisola que se quer em saldo a metade do preço.
12. Batido de chocolate(ou baunilha) (ou morango).
13. Uma chamada de longa distância.
14. Um banho de espuma.
15. Rir baixinho.
16. Uma boa conversa.
17. A praia.
18. Encontrar uma nota de 20 euros no casaco pendurado desde o último Inverno.
19. Rir-se de si mesmo.
20. Chamadas à meia noite que duram horas
21. Correr entre os jactos de água de um aspersor.
22. Rir por nenhuma razão especial.
23. Alguém que te diz que és o máximo.
24. Rir de uma anedota que vem à memória

25. Amigos.
26.Ouvir acidentalmente alguem dizer bem de nós.
27. Acordar e verificar que ainda há algumas horas para continuar a dormir.
28. O primeiro beijo (ou mesmo o primeiro ou o primeiro com novo parceiro).
29. Fazer novos amigos ou passar o tempo com os velhos.
30. Brincar com um cachorrinho.
31. Haver alguem a mexer-te no cabelo.
32. Belos sonhos.
33. Chocolate quente.
34. Fazer-se à estrada com amigos.
35. Balancear-se num balancé.
36. Embrulhar presentes sob a árvore de Natal comendo chocolates e bebendo a bebida favorita.
37. Letras de canções na capa do CD para podermos cantá-las sem nos sentirmos estúpidos.
38. Ir a um bom concerto.
39. Trocar um olhar com um belo desconhecido.
40. Ganhar um jogo renhido.
41. Fazer bolachas de chocolate.
42. Receber de amigos biscoitos feitos em casa.
43. Passar tempo com amigos íntimos.
44. Ver o sorriso e ouvir as gargalhadas dos amigos.
45. Andar de mão dada com quem gostamos.
46. Encontrar por acaso um velho amigo e ver que algumas coisas (boas ou mas)nunca mudam.
47. Patinar sem cair.
48. Observar o contentamento de alguém que está a abrir um presente que lhe ofereceste.
49. Ver o nascer do sol.
50. Levantar-se da cama todas as manhãs e agradecer outro belo dia.

segunda-feira, maio 15, 2006

Como Deus Criou o Amigo(a)


Como Deus criou o amigo (a)


Deus na sua extrema sabedoria observando o homem,
percebeu que ele além da esposa,
dos pais e dos filhos
precisava de mais alguém para completar a sua felicidade,
e então
Ele resolveu criar alguém muito especial.
E para isso
Ele resolveu juntar algumas boas qualidades
para formar esta pessoa muito especial.
Ele juntou a paciência,
a compreensão,
o carinho,
e o amor
que são típicos da mãe.

Colocou um pouco de determinação,
de força,
de decisão,
tirados do pai.
E percebendo que ainda faltava alguma coisa,
misturou a tudo isso a pureza,
a espontaneidade,
a alegria,
a irreverência
e a sinceridade das crianças.
Para dar o retoque final
Ele acrescentou a paciência,
e a moderação dos avós.
Disso tudo surgiu um alguém muito especial,
importante e fundamental na vida de todos nós.
E de toda essa mistura de boas qualidadese de tudo que é bom,surgiste tu meu querido amigo(a).

domingo, maio 14, 2006

O rei e o Falcão

O Rei e o Falcão

Gengis Khan foi um grande rei e guerreiro.
Conduziu seu exército à China e à Pérsia, e conquistou muitas terras.
Em todos os países, falava-se de seus feitos ousados e dizia-se que desde Alexandre, o Grande, não houvera rei igual.
Uma certa manhã, longe das guerras, saiu cedo de casa a fim de passar o dia caçando na floresta. Muitos amigos foram com ele.
Todos, carregando seus arcos e flechas, seguiram felizes em suas montarias.
Acompanhavam-nos os serviçais, conduzindo os cães pela retaguarda.
A partida mostrava-se muito bem disposta.
Seus gritos e risadas retumbavam na floresta.
Esperavam abater muitos animais que trariam para casa ao final do dia.
O rei levava ao punho seu falcão predileto, pois naquela época essa ave era treinada para a caça. A uma ordem do dono, o pássaro alçava vôo, e do alto vasculhava a floresta.
Ao avisar um cervo ou uma lebre, mergulhava velozmente sobre a presa, qual uma flecha.
O dia inteiro passaram Gengis Khan e seus caçadores a cavalgar pela floresta.
Não encontraram, porém, tanta caça quanto esperavam.
À tardinha, decidiram retornar.
O rei estava habituado a cavalgar pela floresta, e conhecia todas as trilhas.
Tendo o grupo escolhido o caminho mais curto para casa, ele tomou uma estrada mais longa que passava por um vale entre duas montanhas.
O dia fora quente, e o rei tinha sede.
Seu falcão amestrado alçara vôo, deixando-o só.
O pássaro saberia encontrar o caminho de casa.
O rei prosseguia lentamente.
Conhecia uma fonte de águas límpidas em alguma paragem perto da trilha.
Se ao menos pudesse encontrá-la naquele momento!
Mas os dias quentes do verão haviam secado todos os córregos da montanha.
Mas eis que, para sua alegria, avistou um pouco de água escorrendo pela beira de uma pedra. Haveria de encontrar a fonte logo acima.
Na estação chuvosa, as águas corriam ligeiras naquele ponto; mas agora gotejavam lentamente.
O rei apeou da montaria.
Tirou do embornal um cálice de prata.
Começou a aparar as gotas que caíam lentamente da pedra.
A água demorava para encher o cálice; e o rei tinha tanta sede que mal podia esperar. Finalmente, estava quase cheio.
Levou-o aos lábios e estava prestes a sorver o primeiro gole.
De repente, um zunido cruzou os ares e o cálice foi derrubado de suas mãos.
A água derramou-se toda.
O rei procurou ver quem fizera aquilo.
Fora seu falcão amestrado.
O pássaro voou de um lado para outro algumas vezes e acabou pousando nas pedras, perto da fonte.
O rei pegou o cálice e tornou a recolher as gotas de água.
Desta vez não esperou tanto tempo.
Quando estava pela metade, levou-o à boca.
Mas antes que o cálice lhe tocasse os lábios, o falcão deu outro mergulho, derrubando o objeto.
Desta vez o rei começou a ficar zangado.
Empreendeu mais uma tentativa, e pela terceira vez o falcão o impediu de beber.
O rei ficou bastante irritado e gritou: -Como te atreves a fazer isso?
Se eu pusesse minhas mãos em ti, torcer-te-ia o pescoço!
Mais uma vez, o rei encheu o cálice. Porém, antes de levá-lo à boca, sacou da espada.
Agora, Senhor Falcão, é a última vez - disse ele.
Mal proferia as palavras, o falcão mergulhou e derrubou-lhe das mãos o cálice.
Mas o rei já esperava por isso.
De um golpe, acertou o pássaro em pleno vôo.
E logo o pobre falcão jazia aos pés do dono, sangrando até morrer.
É o que mereces por teus caprichos - disse Gengis Khan.
Entretanto, ao procurar o cálice, encontrou-o caído entre duas pedras, onde não conseguia alcançar.
Mesmo assim, vou beber desta fonte - disse consigo mesmo.
E pôs-se a galgar a parede íngreme da rocha para chegar até o lugar de onde a água escorria.
A tarefa era árdua; e quanto mais subia, mais sede sentia.
Por fim, atingiu o local.
E havia, de fato, uma nascente; mas o que era aquilo dentro da poça, ocupando-lhe quase todo o espaço?
Uma enorme serpente morta, e das mais venenosas.
O rei parou.
Esqueceu-se da sede.
Pensou apenas no pobre pássaro morto ali no chão.
O falcão salvou-me a vida! - gritou. -
E o que fiz em troca? Era meu melhor amigo, e eu o matei.
Desceu a escarpa.
Tomou cuidadosamente o pássaro nas mãos e o colocou no embornal.
Subiu na montaria e partiu ligeiro, dizendo consigo:
Aprendi hoje uma triste lição, que é nunca fazer coisa alguma com raiva.
/Autor Desconhecido/

sábado, maio 13, 2006

Sabe ou Sente???


Já reparou o quanto as pessoas falam dos outros?
Falam de tudo.
Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos.

Sobretudo falam do comportamento.

E falam porque supõem saber.

Mas não sabem.

Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente.

Se sentissem não falariam.

Só pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já ferida por tal amputação de vida.
Dou esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor.
As pessoas falam da reação das outras e do comportamento delas quase sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.

Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele.

Isso é masoquismo.

Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.

Se nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo, como teremos forças para ajudá-lo?

Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.
Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos.
Isso é ser infeliz.

Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.
É analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados fluir sem barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os baixos, os elevados, os mais puros, os melhores, os santos.

Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode sabê-los, de senti-los no próximo.

Espere florescer a árvore do próprio sentimento.

Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível fecundando.

A verdade é que só sabemos o que já sentimos.

Podemos intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer.
Mas saber jamais.
Só se sabe aquilo que já se sentiu.
/Arthur da Távola/

quinta-feira, maio 11, 2006

Dança Comigo... Este Bolero


Dança Comigo... Este Bolero

Vem.. dança comigo este bolero
Conduz-me suavemente nestes acordes,
estreita-me em teu peito,
cola teu rosto ao meu,
troquemos em sussuros nossas promessas de Amor..!!
Vem.. divide comigo a magia que este bolero provoca,
no compasso destes passos,
deixando desejos à flor da pele,
lábios tãos pertos em sussurros que se calam num doce beijo apaixonado.
Vem, deixemos o compasso nos levar,
na doce magia deste bailar,
cadenciando nossos sentidos nos românticos acordes deste bolero.
Vens..!?!

Thais S Francisco
" Beijaflor "

quarta-feira, maio 03, 2006

Nossos Velhos





Nossos Velhos
Pais heróis e mães rainhas do lar.
Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.
A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada.
O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra?
Fizeram 80 anos.
Nossos pais envelhecem.
Ninguém havia nos preparado para isso.
Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas.
Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que para isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam.
Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu.
Estão com manchas na pele.
Ficam tristes de repente.
Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação.
Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.
Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi.
Essa nossa intolerância só pode ser medo.
Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais.
É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.
Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.
/Marta Medeiros/

Primeiro Desejo





Desejo primeiro

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outros sim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga
`Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
/Victor Hugo/